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Ah, o futebol…

Por que as pessoas gostam de Michel Teló, UFC, novelas e Crepúsculo? Apesar de realmente não saber, eu acho que posso entender. Música, esporte, cinema (e derivados) e literatura são apenas alguns dos assuntos que provocam aquele sentimento chamado paixão. Aquele tipo de coisa que a gente não sabe bem explicar, mas acredita sentir como ninguém mais. E, dentro do esporte, temos o futebol que, na minha opinião, é um dos mais fortes combustíveis para a tal da paixão.

Ah, o futebol… eu sei que, para quem não gosta, é quase impossível entender qual a graça, a lógica e, principalmente, a razão de torcer para um time. Afinal: o salário dos jogadores é provavelmente maior do que o valor que você vai ganhar em um ano (ou na vida); torcer para um clube não te acrescenta em nada e, quando ele vence, você não recebe bonificações – os jogadores, sim; são só 22 caras correndo atrás de uma bola – e eles nem sabem que você existe; o universo do futebol é sujo; todo ano é a mesma história, os mesmos clichês; com tantos problemas no mundo, é sério que você vai se descabelar por futebol? …

… Blá, blá, blá. E não vale a pena, para nenhum dos lados, levar essa discussão adiante. Porque futebol também é paixão e ninguém é obrigado a compreender e a compartilhar. No entanto, eu realmente não entendo (e, não, isso eu nunca vou entender) por que existem pessoas que se acham melhores do que aquelas que gostam de futebol e torcem, sofrem, vibram e choram por um time. E, infelizmente, esse sentimento de superioridade acontece também com outros temas, mas é que hoje está impossível não falar sobre esse.

Bom, como eu sempre digo, ninguém é e nem precisa ser uma coisa só. E eu nem quero as pessoas entendam a complexidade (ou seria simplicidade?) desse sentimento, independente dele ser em relação ao futebol ou não. Só espero, de verdade, que tenham outras paixões. Porque a vida deve ser triste quando nada que não seja a seu respeito é capaz de te inspirar.

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Sobre crescer e evoluir

No caminho de volta da faculdade, entrei no metrô e, como de costume, parei próxima à porta e segurei no apoio à minha esquerda. Quando o trem saiu do lugar, a pessoa que estava ao meu lado quase caiu. Olhei pra ela e ela olhou pra mim. E foi aí que a reconheci: Patrícia havia estudado inglês comigo há dois anos. A dedicação dela durante as aulas contrastavam com seu estilo desleixado – calças largas e tênis de skatista eram seu “uniforme”, pelo menos aos sábados. No entanto, dessa vez, quando a vi, percebi que ela já não era mais a garota estilosa que conheci. Vestia roupas normais, de gente que cresceu e foi obrigada a deixar alguns gostos pra trás: calça social, sobretudo preto, camisa branca, bota de bico fino e até um crachá pendurado no pescoço. Foi quando olhei para o meu reflexo na porta do trem e notei que eu também não sou mais a mesma menina de dois anos atrás. Agora, também visto roupas de gente que cresceu e foi obrigada a abandonar antigos gostos. E sabe o que mais? Quase todas as minhas idéias, princípios, sonhos e vontades foram renovados junto com as roupas que eu guardava no meu armário. E então eu percebi algo que eu já deveria saber: não foi só a Patrícia que cresceu, eu também cresci.

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Ultimamente, tenho pensado muito (mais) sobre essa “brincadeira” de crescer. E, justamente no meio de uma das minhas reflexões, me deparei com esse texto, que escrevi em meados de 2008. Confesso que me assustei: não tinha me dado conta de que venho pensando no assunto há, possivelmente, mais de 4 anos. Mas relê-lo me fez perceber que, talvez, o nome disso não seja crescer e, sim, evoluir. A minha essência e os meus princípios continuam os mesmos, já as minhas ideias se multiplicaram. E os sonhos e vontades… ah, esses são meus combustíveis,  que renovo de tempos em tempos, sempre com um dos pés fincados no chão. Acho que evolução é mais ou menos isso: desvendar nossas vontades, correr atrás do que queremos e entender que sonhos vêm e vão. Decepções e frustrações fazem parte do jogo e, por isso, evoluir também inclui superar.

No final das contas, reler esse texto antigo me fez muito bem. Ao terminar de “processá-lo”, tive uma certeza: não sei quais rumos vou seguir, mas evoluir é algo que quero fazer para sempre. Ainda que doa muito mais do que me desfazer de roupas velhas.

“Tryin’ hard was never good enough, I’ve got a lot to learn”

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Amor bandido

Foi amor quase à primeira vista. Tudo o que ela fazia era legal, diferente e me divertia. Ela também era inteligente e bem-sucedida. Fazer parte da vida dela se tornou um sonho, quase uma obsessão, que eu achei que jamais viraria realidade. Eis que, um dia, após uma verdadeira competição, conquistei meu lugar ao sol e ela, finalmente e de uma vez por todas, passou a fazer parte do meu dia a dia. Como em todo começo de relacionamento, nós eramos unha e carne. Eu achava ela o máximo, melhor até do que eu imaginava, e ela me fazia sentir inteligente e bem-sucedida, exatamente como eu a via. Nossos almoços tinham os melhores cardápios, os lanches da tarde eram especiais, meu guarda-roupa ganhou um upgrade e, até onde eu sei, a maiorias das pessoas invejava nossa relação. Inocente, pensei que tudo aquilo duraria para sempre, mas o tempo passou e tivemos nossa primeira crise. Ela disse que sentia minha falta, mas que não podia ficar comigo naquele momento. Sofri e chorei, mas, no final, me sujeitei a viver como ela propôs porque achei que seria melhor do que não tê-la mais. Certo dia, voltamos a ser quase como antes. O “quase” me incomodava, mas eu estava disposta a ser paciente e esperar que tudo fosse como eu gostaria novamente. Promessas foram feitas, mas nunca cumpridas, e expectativas foram destruídas. Conforme o tempo passava, as qualidades começavam a diminuir – ou os defeitos começavam a aparecer? – e hoje eu sei que ela não me trata tão bem, mas ainda reconheço que é ótima em outras coisas. Também sei que ela não é exatamente o que mereço ou o melhor que posso ter, só que é difícil aceitar que, às vezes, os caminhos se dividem e é preciso tomar rumos diferentes. Mas acho que estou prestes a entender que o sonho de todo mundo pode não ser mais o meu e que a vida é muito mais do que um amor.

 

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Agregar, não segregar

Eu sempre tive gostos contraditórios, ainda que sem querer. Em 1999, era fanática por futebol, mas lia Capricho. No ano seguinte, amava o pop do Nsync e também adorava o rock do Red Hot Chili Peppers. Em 2004, conheci as bandas alternativas/clássicas e o cinema OFF-Hollywood. Me apaixonei e comecei a achar que, na minha lista de favoritos, eu não poderia misturar Britney Spears e Suede, filmes alternativos e comédias românticas.

Então, foram quase dois anos tentando me “desintoxicar” e até que obtive sucesso. Eu até poderia viver assim nos dias de hoje, se não tivesse percebido que eu corria sérios riscos de me tornar aquele tipinho que detesto: gente que veste camiseta com estampa do Arctic Monkeys e Amélie Poulain, mas, no fundo, não sabe nem quem é Jean-Pierre Jeunet ou Alex Turner (embora eu saiba quem são, pois sou viciada em pesquisas). E o pior é que fazem isso só porque acham que ser “diferente” é cool – embora o “diferente” já tenha virado comum.

Um pouquinho do que rola na minha coleção.

Não me entendam mal, não estou cuspindo no prato em que comi – ou tentei comer. Não tenho nada contra pessoas indies, pelo contrário: as de verdade têm a minha admiração e respeito. Entre as minhas bandas favoritas, aliás, a maioria é “alternativa” ou clássica e eu ainda assisto a filmes OFF-Hollywood de vez em quando. Mas aprendi que existe uma maneira certa para apreciar cada tipo de coisa. Nunca vou esperar que a Britney seja considerada uma Aretha Franklin ou que uma comédia romântica fature o Oscar. Assim como sei que jamais verei um filme água com açúcar de Robert Rodriguez.

Mas toda essa resistência em aceitar meus gostos contraditórios teve um lado positivo: me mostrou que eu estava me levando a sério demais. Quando percebi, consegui superar a minha crise interna e entendi que eu não tenho que ser uma coisa só. É como se eu tivesse criado compartimentos no meu cérebro, onde o Morrissey e Rihanna não precisam dividir o mesmo espaço. E, se antes eu tinha receio de ser vista como uma pessoa superficial por gostar de música pop e comédias românticas, hoje, não me importo com esses rótulos ou preconceitos. Acontece que existem várias “espécies de Nádia”, que eu não faço mais questão de expor. Justamente porque é contraditório demais e, às vezes, nem sentido faz. Mas já sou segura o suficiente para saber o que de fato me define. E, muitas vezes, é a contradição que diz quem eu sou. Apaixonada por Corinthians, moda e maquiagem, com um lado roqueiro e outro “superficial”, como queiram. Nem tudo precisa fazer sentido sempre.

A palavra de ordem é agregar e não segregar.

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No more tears

Em O Amor Não Tira Férias, Graham Simpkins (Jude Law) chora por tudo, enquanto Amanda Woods (Cameron Diaz) não derrama uma lágrima há anos. Eu, infelizmente, faço parte do grupo do Graham. Quer dizer, eu não chego a chorar por tudo, mas casamentos, filmes e livros quase sempre são sinônimo de lágrimas para mim. E eu não ligo, sabe? Acho que chorar em ocasiões como essas até lava a alma e faz bem.

A durona e o chorão

Mas, quando eu fico com raiva, a coisa muda de figura. Esse sentimento sempre me traz vontade de chorar, mesmo que, no fundo, eu queira mesmo é soltar vários palavrões cabeludos. Eu mentalizo que a situação é “no big deal” e, às vezes, até funciona. No entanto, na maioria dos casos, apenas adia o inevitável: a garganta fecha, o nariz arde, gotas gordas brotam nos olhos e a voz (se ainda houver) treme, até irromper numa frase chorosa qualquer, pelo menos dois tons acima da média.

E aí, já era. Quanto mais as pessoas perguntam o que aconteceu, pior fica a situação, até o choro se tornar algo incontrolável, com direito a soluços e lágrimas que rolam sem você precisar piscar. E o pior: você nem quer chorar de verdade, mas é simplesmente inevitável. Então, quando termino a sessão lacrimosa, dou uma risada – que também não é exatamente o que eu quero fazer. Mas, né, que alternativa eu tenho? Só sei que, quando os shampoos No More Tears da Johnson&Johnson realmente forem anti-lágrimas, eu vou usá-los mais do que apenas para tirar o resto do rímel.

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Nem todo “te amo” é “bom dia”

Na minha época de escola, a gente dizia que gostava de um amigo com “te curto pacas”, “você é +QD+” e coisas do gênero. O “te adoro” era para os melhores e olhe lá. De uns tempos pra cá, porém, percebi que o “te amo”, que a gente só usava para o namorado, a mãe e o pai, virou lugar-comum entre os amigos também e, às vezes, parece ter o mesmo significado de um simplório “gosto de você”. Os mais  conservadores diriam que o “te amo” virou “bom dia” e, sabe, eles não estão errados.

Só que não podemos generalizar. Existem alguns “te amo” que significam exatamente o que devem significar. Porque amar um amigo não é como amar o namorado ou os pais. Mas pode ser como amar um irmão. E isso você só descobre quando a dor de quem você ama dói em você também.

Porque amizade também é uma forma de amor. E nem todo “te amo” é “bom dia” =)

Foto sxc.hu

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Sobre mudanças…

“Tenho sempre presente que a renovação é uma condição de vida. Nunca me satisfaz o que faço. Ainda sou um homem a caminho.”

Quando li a frase acima, do artista expressionista Iberê Camargo, me identifiquei na mesma hora. Sou o tipo de pessoa que quase nunca está 100% satisfeita com as coisas – principalmente com as que eu mesma faç0 – e não acho que isso seja motivo de orgulho. No entanto, sei que é essa característica que me faz estar sempre em busca de novos desafios e planejando a próxima mudança – esses, na verdade, são alguns dos meus combustíveis.

Mas existem mudanças e desafios que me assustam: aqueles que não planejamos, nem sequer queremos. Que nos pegam de surpresa, e de uma maneira ruim. São os pensamentos e sentimentos que mudam em o que parece ser uma fração de segundo; a sensação de que as vontades e sonhos apenas se acumulam; e, principalmente, as amizades que definham e o amor que, às vezes, simplesmente desaparece, assim, sem mais nem menos.

E o que me assusta realmente não são as mudanças em si ou o desafio de encará-las. Mas sim a lógica que, às vezes, simplesmente inexiste em cada uma delas. Quantas vezes eu vasculhei meu passado e me deparei com ideias e sentimentos bons que nunca pensei que fossem mudar (ou que nem lembrava mais ter tido…)? Ou vi fotos e recados de pessoas que pensei que jamais sairiam da minha vida? E, então, eu me pego pensando em como tudo isso simplesmente mudou. Ou melhor, QUANDO e POR QUE tudo isso mudou? Apesar de já não fazer mais diferença, não deixo de ficar intrigada…

A verdade é que refletir sobre o assunto me trouxe mais dúvidas, mas uma conclusão:  o que realmente me angustia não são as coisas que se transformaram e, sim, tudo o que ainda está por se transformar. Será que ainda vou viver muitas desilusões, “desamizades” e desamores? O jeito é pensar em tudo aquilo que muda para melhor.

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