And I feel it…

Stone Temple Pilots. Ouço essas três palavras há muito tempo: na infância, era o nome da banda que a MTV classificou (erroneamente) como a sucessora do Pearl Jam; no final da adolescência, era uma das bandas favoritas do meu namorado; e, agora, é a minha banda preferida. É até estranho dizer isso, pois até outro dia, ninguém –  muito menos eu – sequer imaginava que o meu tão amado The Killers perderia seu posto. Mas aconteceu.

Stone Temple Pilots

Tudo começou em 2010, quando o Stone Temple Pilots veio ao Brasil pela primeira vez. Eu baixei algumas músicas para acompanhar meu namorado ao show, mas não morri de amores. No entanto, terminei o dia 10 de dezembro surpreendida: mesmo sem saber a maioria das canções, a apresentação me contagiou tanto que até entrou para o meu top 3, ao lado de The Killers e Kaiser Chiefs. É verdade que, alguns dias depois, a animação sumiu e tudo voltou a ser como antes. Mas a lembrança daquele show perfeito fez meus olhinhos brilharem quando o Stone Temple Pilots foi confirmado no SWU 2011.

Scott Weiland

E no dia 14 de novembro, lá estávamos nós, debaixo de chuva e com lama até as canelas, para prestigiar Alice in Chains, Faith no More e, mais uma vez, Stone Temple Pilots. Eu estava ansiosa e empolgada, mas, mesmo assim, não pensei que as primeiras batidas da agitada Crackerman fariam meus olhos pinicarem. E a noite seguiu com mais episódios surpreendentes: ao longo do show, percebi que aquelas mesmas músicas que eu havia prestigiado ao vivo há um ano soavam diferentes aos meus ouvidos. Mais profundas, contagiantes e emocionantes. E a chuva, que não cessava, fazia o papel das lágrimas que surgiam, ameaçavam cair, mas se limitavam a apenas umedecer os olhos.

De novo, terminei o show surpresa – como podia uma banda da qual eu nem era fã me deixar assim por duas vezes? – e deixei Paulínia com aquela nostalgia boa. No entanto, dessa vez os dias seguintes foram diferentes. Eu não conseguia parar de ouvir Stone Temple Pilots, mas nem imaginava que isso se tornaria a rotina dos próximos meses. A listinha do iPod, que antes contava com 6 músicas, foi crescendo e, quando percebi, já havia baixado (e amado) os 6 álbuns da banda. Mas a verdade, eu logo notei, é que a minha paixão não atendia pelo nome de Stone Temple Pilots e, sim, por Scott Weiland – o vocalista. Afinal, alguns dias depois, eu já estava louca pelos dois CDs do Velvet Revolver, banda que ele também liderou, e o próximo passo apenas confirmou o novo vício: em questão de mais alguns dias, 12 Bar Blues e “Happy” in Galoshes, os dois álbuns solo do Scott, já estavam em modo repeat.

Velvet Revolver

E é em momentos assim que eu tenho mais certeza ainda de que realmente gosto de me apaixonar por coisas com enorme atraso e me faço aquela pergunta: “o que eu estava fazendo enquanto isso tudo acontecia?”. E a resposta, nesse caso, provavelmente seria “aprendendo a andar e frequentando a pré-escola”, já que o Grunge estourou em 1990 e o STP, em 1992 (e eu  nasci em 1988). Então, para o meu próprio consolo, procuro pensar que nunca é tarde para descobrir coisas que nos inspirem e encantem. 

E nesse ritmo frenético, já se passaram 4 meses desde o fatídico show e, até agora, não sei bem o que tanto me agradou. É fato que Scott Weiland, seja com Stone Temple Pilots ou Velvet Revolver, contribuiu de forma significativa para o mundo da música. Mas, para mim, é algo muito maior do que isso. Não é só a voz,  não são só as letras e batidas ou as canções em si. Talvez seja a forma como as notas e frases parecem invadir territórios desconhecidos e causar sensações que, ironicamente, pareço não saber colocar em palavras.  Mas sei que é algo vai além de ritmos e estrofes. Pode ser mais uma daquelas coisas que não têm explicação ou para as quais a explicação pouco importa. No entanto, teimosa que sou, não consigo parar de procurá-la. Agora, se você quiser mesmo saber… acho que não faço questão de desvendar esse mistério tão cedo.

“Pain and suffering and the romance of that. The concept of all that seems sexy” – Scott Weiland (talvez, isso explique um pouquinho da minha paixão)

Esse post serve para contextualizar a resenha de Not Dead and Not For Sale, a autobiografia de Scott Weiland, que deve sair em breve.
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3 Comments

Filed under Música

3 responses to “And I feel it…

  1. Eu simplesmente amei! :D Nem consigo comentar, deu até arrepios haha exatamente porque eu sei o que é sentir isso por uma banda e, não tem realmente explicação. Não são apenas letras, riffs, é o conjunto da obra que faz a gente gostar e querer sempre mais!

    Amei amei!
    <3

  2. Angélica Roz

    Que post gostoso!! :D
    Bela nostalgia… :)

    Beijos!

  3. CONSIDERAÇÕES:
    (hahaha)

    Juro que queria gostar de STP, mas graças aos deuses mitológicos, Scott fez o favor de ser o vocal do Velvet Revolver SO eu ainda consigo compartilhar coisas dele com você, haha! E eu meio que te entendo. Eu não sou o maior exemplo de linearidade, mas tudo o que eu amei até aqui, eu continuo amando até hoje. Mas no fundo a gente tenta procurar certas coisas, identidades, e às vezes acaba achando sem quer. O tão citado “timing” não é tão clichê quanto parece…acredito que tudo tem o seu momento, e quando a gente se surpreende conosco e tudo, por mais que mudar tenha seu lado “chato”, também nos mostra que: “ok, estamos vivendo, as coisas ainda podem nos surpreender!” :D

    Super lindo o texto e..compartilho várias coisas dele haha mesmo com outras bandas, sem ser necessariamente a última, a minha penúltima eu também não ouvi de imediato assim, gostei com um atraso de 4 anos depois da primeira vez…mas tá bom hahaha!

    E amor é AMOR, a gente sabe quando é diferente < ui.

    BEIJINHO e dia 5…é…dia 5!

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