Monthly Archives: January 2012

Um tal de Red Hot Chili Peppers

Em 2000, a cena pop dominava a MTV e, sim, eu adorava. Mas, entre as Britneys, Christinas e boybands da vida, algo diferente me chamou a atenção: era o clipe de uma música chamada Californication, que imitava um jogo de videogame e era de uma banda de nome comprido. Eu nem imaginava, mas o tal de Red Hot Chili Peppers não era apenas uma modinha e, sim, um dos nomes mais influentes da história recente do rock.

Foi nessa época que conheci o RHCP

No entanto, saber disso não mudou muita coisa para mim porque, à essa altura, eu já havia adicionado Californication à coleção. E ouvi-lo foi o suficiente para aumentá-la ainda mais: comprei a coletânea, What Hits?, e mais dois álbuns da discografia da banda, o One Hot Minute e o clássico Blood Sugar Sex Magik. Em pouco tempo, eu já dizia que o RHCP era minha banda favorita, guardava matérias de revistas e gravava clipes, shows e programas em que eles apareciam. Dois anos depois dessa “descoberta”, precisei fazer um trabalho de inglês para a escola e, como tema, escolhi o RHCP. Acho que meu lado jornalista já estava aflorando porque eu realmente levei a pesquisa a sério e descobri quase tudo sobre a história da banda.

No entanto, mais alguns anos depois, percebi que eu talvez não tivesse “nascido” para ser fã de Red Hot Chili Peppers. Eu realmente amava os álbuns Californication e By The Way, mas sabia que a verdadeira alma da banda estava nos anteriores, que eu simplesmente não conseguia ouvir inteiros. Ao mesmo tempo, meu interesse por outros estilos musicais cresceu e, em pouco tempo, o RHCP perdeu o posto de favorita para alguma outra banda que já não lembro mais qual era – não que isso tenha me impedido de quase completar a discografia deles.

Formação atual da banda

Em 2007, meu namorado me emprestou a auto-biografia do vocalista Anthony Kiedis, batizada Scar Tissue. Comecei a ler e, por alguma razão desconhecida, parei antes mesmo de chegar à metade. Semana passada, resolvi organizar minha vida musical e baixei o novo álbum do RHCP, I’m With You. Quando comecei a ouvir as músicas, olhei para a pilha de “livros x” na minha estante e avistei a auto-biografia de Anthony. Ainda estava meio que em crise literária, mas fiquei com vontade de ler. Decidi tentar. Recomecei o livro, a leitura fluiu e eu realmente não entendi porque parei de ler da outra vez. Acho que é aquela coisa que chamam de timing…

O RHCP nunca foi uma paixão avassaladora em minha vida musical e, talvez, isso tenha contribuído para que eu nunca enjoasse deles. Claro que existiram momentos em que os ouvi loucamente e meses que passei sem escutar uma música sequer. Apesar disso, os Chili Peppers nunca deixaram de fazer parte da minha lista de favoritos e permanecem nessa categoria há mais tempo do que qualquer outra banda – 12 anos, para ser precisa. E ler a biografia do Anthony me fez, de fato, entender a música do Red Hot Chili Peppers e querer ouvi-los mais – e, dessa vez, de verdade.

Contei toda essa história só para contextualizar o próximo post, que será a resenha de Scar Tissue. 
Advertisements

7 Comments

Filed under Música

Thank You(Tube)

O YouTube é tão presente no nosso dia a dia que até parece que existe desde sempre. E é aí que a gente se engana: o site foi fundado há apenas pouco mais de 5 anos, mas já armazena um arquivo invejável – que poderia muito bem ser considerado patrimônio público, de tão preciso que é. Por que estou falando isso? Bem, já mencionei aqui a minha paixão retardada, também conhecida como mania-de-gostar-de-bandas-que-já-acabaram-ou-que-passaram-pelo-seu-auge-há-mais-de-10-anos. E se não fosse o YouTube, eu jamais teria a chance de conhecê-las tão a fundo e prestigiá-las com tanto amor <3

Alguém lembra da época em que, para ver um videoclipe, era preciso rezar e esperar que passasse na MTV? Ai, quantas vezes eu esperei pela versão alternativa de Under the Bridge, do Red Hot Chili Peppers, que até hoje não deve ter passado? Ou perdi aquela entrevista com o Dida, ex-goleiro do Corinthians, e nunca mais tive a chance de assistir? Pensar nessa época me faz valorizar ainda mais o acesso livre – às vezes até demais – que agora temos a praticamente tudo. Embora eu deva confessar que ainda é emocionante quando toca AQUELA música no rádio ou passa AQUELE clipe na televisão.

Aí, você se pergunta: ok, sua louca, mas daonde você tirou essas ideias? Bom, meu atual vício, que também atende pelo nome de Scott Weiland, viveu seu auge nos anos 1990 e, se não fosse o meu amigo YouTube, eu jamais conheceria a real grandeza e  importância do seu trabalho. Claro que essa não foi a primeira vez que algo desse tipo aconteceu. A tecnologia e, principalmente, a internet já me ajudaram a descobrir muitas coisas boas. Mas essa foi a primeira vez que eu parei pra pensar e percebi o quanto eu gosto de poder “viver” coisas que aconteceram quando eu tinha menos de 5 anos de idade (ou nem pensava em existir) ou relembrar aquelas mais recentes.

Resumindo: o que quis dizer com esse post meio estranho é que temos que aproveitar a democratização da informação para fazer coisas boas e que realmente têm valor para nós. Não vamos compartilhar links no Facebook apenas para ter a sensação de que fizemos algo útil. Ou dar indiretas no Twitter como se não houvesse amanhã. Existem coisas melhores a se fazer nessa coisa chamada internet ;)

E pra finalizar esse post-viagem-desabafo, uma ideia que tem tudo a ver com a minha fase atual:

“Art that has long lasting value cannot be appreciated by majorities, only the same small percent will value arts’ patience as they always have. This is good.” – Kurt Cobain

Sugestões de coisas que você pode fazer no YouTube: assistis videoclipes; ouvir canções antigas/raras/novas; ver filmes, seriados e até novelas; prestigiar entrevistas de 1900 e bolinha; se deliciar com apresentações e shows completos das suas bandas favoritas; usar a imaginação e buscar algo absurdo - com certeza vai aparecer algo.

7 Comments

Filed under Música

Meia-noite em Paris

Gil Pender (Owen Wilson) é um escritor em crise que viaja para Paris com a noiva, Inez (Rachel McAdams). Na cidade luz, Inez encontra seus amigos, Paul e Carol, formando um círculo onde Gil não é exatamente bem-vindo, tampouco se encaixa. Em uma das noites, Paul e Carol convidam Inez e Gil para dançar. Ele recusa, mas ela aceita. Sozinho, o escritor decide passear pelas ruas de Paris e se descobre perdido, até que um carro antigo passa e lhe oferece uma carona. Como havia acabado de sair de uma degustação de vinhos e não estava em seu mais perfeito juízo, Gil aceita e, para sua surpresa, o tal carro o transporta para Paris dos anos 1920, época em que viviam muitos de seus ídolos. No dia seguinte, o escritor pensa que foi tudo um simples devaneio, mas acaba descobrindo que tudo aquilo realmente aconteceu.

Depois de assistir o penúltimo filme de Woody Allen, o Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos, fiquei um pouco desencantada com o diretor, que é um dos meus favoritos. Por isso, mesmo com os muitos elogios que recebeu, Meia-Noite em Paris ainda era uma incógnita para mim. No entanto, para a minha alegria, o mais recente longa de Allen é, dos atuais, o que mais me lembra as obras clássicas do diretor: tem o romantismo de Todos Dizem Eu Te Amo; as questões familiares de Hannah e Suas Irmãs; a cidade como inspiração, somando Paris à lista que já tem Barcelona (Vicky Cristina Barcelona), Nova Iorque(a maioria de seus filmes) e Londres (O Ponto Final – Match Point, Scoop – O Grande Furo e O Sonho de Cassandra); os devaneios de Melinda e Melinda; as dificuldades da vida a dois de Annie Hall; além de, claro, a ironia, o senso de humor e as crises pessoais, ingredientes indispensáveis em todos os trabalhos de Allen.

Cheguei também a ler comentários que diziam que Meia-Noite em Paris fazia muitas referências a grandes personalidades do cenário cultural e que, quem não as conhecesse, dificilmente conseguiria acompanhar o filme. Verdade, o longa realmente traz muitas dessas referências que, apesar de serem o pano de fundo do filme, às vezes parecem meros detalhes que tem o papel de enriquecer o roteiro – e essas inserções de personagens reais, como Ernest Hemingway e Scott e Zelda Fitzgerald, são capazes de contextualizar a história sem comprometer o desenvolvimento do longa e isso é, aliás, um de seus pontos fortes. O máximo que pode acontecer é você perder algumas piadas e sacadas.

Mas o que mais me chamou atenção em Meia-Noite em Paris foi o Owen Wilson. Alguns criticaram a escolha dele para o papel, já que muitos o consideram um “ator de filmes bobos”. Bem, eu nunca o classifiquei assim e a minha maior razão é que ele sempre esteve ótimo nos filmes de Wes Anderson* que, apesar de divertidos, estão longe de ser “filmes bobos”. Enfim, em Meia-Noite em Paris, Wilson foi capaz de provar, mais uma vez, que pode, sim, interpretar personagens mais profundos. No entanto, o que realmente me intrigou é que Gil Pender parece ser um alter-ego de Allen, assim como muitos outros de seus personagens. Mas, a diferença é que, dessa vez, não é o próprio diretor quem o interpreta e, sim, Wilson. E isso só ficou claro porque o ator foi capaz de transmitir a mensagem, expressando as ideias, tão características de Allen, com os trejeitos, igualmente típicos do diretor.

Em suma, Meia-Noite em Paris merece todos os elogios que recebeu por ser uma obra tão genuína de Woody Allen. Já estou esperando o próximo ansiosamente, Woody!

E vocês assistiram?

*Para quem quiser assistir: Pura Adrenalina, Três é Demais, Os Excêntricos Tenenbaums, A Vida Marinha com Steve Zissou e Viagem a Darjeeling.

Título original: Midnight in Paris
Diretor: Woody Allen
Ano: 2011
Minutos: 
100
Elenco: Owen Wilson, Rachel McAdams, Marion Cotillard, Carla Bruni
Avaliação: 5 estrelas

Mais filmes aqui!

9 Comments

Filed under Filmes

Filme: Larry Crowne – O Amor Está de Volta

Larry Crowne (Tom Hanks) é o funcionário exemplar da loja em que trabalha há muitos anos, até ser demitido simplesmente porque não tem um curso superior. Revoltado, ele decide correr atrás do prejuízo e se matricula na faculdade. Lá, conhece Mercedes Tainot (Julia Roberts), professora do curso de oratória. Mercedes (ou Mercy) também não está em seus melhores dias: seu casamento não é exatamente bem-sucedido e seus alunos parecem não ter o mínimo interesse por suas aulas. No entanto, quando os caminhos de Larry e Mercy se cruzam, ambos têm a chance de superar suas revoltas e renovar o olhar sobre a vida.

Desde que li a sinopse de Larry Crowne – O Amor Está de Volta e soube da opinião de algumas pessoas que viram o filme, achei que se tratasse daquele tipo de comédia romântica com um toque especial – no estilo das que costumam ser estreladas por Tom Hanks e Julia Roberts. Talvez por isso, eu tenha elevado demais as minhas expectativas, mas o fato é que o longa, que é dirigido pelo próprio Hanks, foi uma grande decepção para mim.

O início do filme é interessante e parece anunciar uma história doce e divertida. No entanto, acontecimentos forçados e soluções simplórias demais tomam conta do longa, que acaba se perdendo totalmente após a metade. O desfecho, como fica óbvio depois do desenrolar decepcionante, é bem sem graça e frustrante. Claro que Larry Crowne – O Amor Está de Volta tem seus bons momentos, com piadinhas bobas, mas que funcionam. O porém é que eles não chegam a ser bons o suficiente para compensar o restante do longa.

Resumindo, Larry Crowne – O Amor Está de Volta foi o último filme que assisti em 2011 e, com certeza, foi um péssimo desfecho para a minha lista de comédias românticas. Será que estou sendo dura demais? O que vocês acharam do filme?

Título original: Larry Crowne
Diretor: Tom Hanks
Ano: 2011
Minutos:
98
Elenco: Tom Hanks e Julia Roberts
Avaliação: 2 estrelas

Mais filmes aqui!

6 Comments

Filed under Filmes