Do caos ao Killers

Em 2007, o The Killers foi a principal atração do TIM Festival. Eu apenas gostava da banda, então deixei a oportunidade passar. Em 2008, resolvi ouvir o segundo CD deles, Sam’s Town, com carinho e acabei me apaixonando. No mesmo ano, a banda lançou o terceiro – e, na minha opinião, melhor – álbum, Day & Age, que me conquistou de vez e me transformou em fã incondicional. A partir daí, passei os dias ouvindo Killers e me culpando por não ter ido ao TIM Festival de 2007. Mas que alternativa eu tinha, além de esperar uma nova oportunidade? Foi quando, depois de várias especulações, a banda anunciou que faria um show em São Paulo, no dia 21 de novembro de 2009. Assim que pude, comprei ingressos para a pista premium e comecei a contar os dias: faltavam 100. Contei um a um com uma ansiedade sem precedentes, mas, enfim, era a minha vez.

Meu ingresso inteiro e o que sobrou dele (e do meu tênis) depois do show.

O show

E, então, depois da contagem regressiva, lá estava eu, esperando a minha banda favorita subir ao palco. Debaixo de chuva, acima da lama e consumida pelo mau humor. Enquanto eu aguardava de pé na pista preenchida pela água barrenta, me irritava com a capa de chuva que grudava na pele molhada e esquecia o motivo pelo qual eu realmente estava lá. Só conseguia me perguntar se realmente valeria a pena tanto esforço. Mas a resposta estava por vir.

Quando o palco deu sinais de que, enfim, receberia a banda, senti a irritação dar lugar à adrenalina. E, 20 minutos após a hora marcada, ao som de Human, eu confirmei que Brandon Flowers, Mark Stoermer, Ronnie Vannucci e Dave Keuning existiam de verdade e estavam na minha frente. Foi quando 2 anos de espera e o misto de ansiedade, expectativa e felicidade irromperam em um choro totalmente inesperado, mas, de alguma forma, libertador.

O show seguiu com This is Your Life e a clássica Somebody Told Me, que agitou quem ainda estava desanimado e transformou as poças d’água em piscinas. A cada 5 minutos, eu examinava tudo ao meu redor, voltava os olhos para o palco e quase que, literalmente, me beliscava. Naquele momento, já não existia mais lama, chuva ou caos que me fizessem esquecer o porquê de eu estar lá. Ou que me fizessem questionar se valeria a pena. Porque, àquela altura, eu já sabia a resposta.

Com canções como Bones, Smile Like You Mean It e Spaceman, o setlist agradava ao público e era perfeitamente executado pela banda. Timidamente audacioso, Brandon arriscou até mesmo um cover de Can’t Help Falling in Love, de Elvis Presley, e foi traído pelas teclas de seu piano. Mas não pela sua voz. Agradou e, em seguida, continuou agradando assim que o público reconheceu os primeiros sinais dos sintetizadores de Brandon em Read My Mind, seguida do primeiro single da banda, Mr. Brightside. O ápice do show veio logo depois, com All These Things That I’ve Done, um Brandon ensandecido em cima das caixas de som e uma chuva, dessa vez, de pequenos quadradinhos de papel brilhante.

Chuva de papel picado em All these things that I’ve done e cascata de fogos em When you were young :’)

A primeira parte acabou assim. E eu não acreditava que já estava chegando ao final definitivo. Um misto de nostalgia antecipada e tristeza tomou conta de mim, mas eu decidi que aproveitar ao máximo o que ainda estava por vir seria a melhor coisa que eu poderia fazer. Então, fiz questão de  curtir cada acorde do baixo marcante de Jenny was a friend of mine, como se ainda fosse a primeira canção de muitas que ainda viriam naquela noite. Mas a seguinte já era a última e, enquanto Brandon cantava o trecho “he doesn’t look a thing like Jesus”, eu levantei as mãos para o céu arroxeado e simplesmente agradeci, pra quem quer que fosse, por ter acabado de viver as melhores duas horas dos últimos tempos. E foi em meio à uma cascata de fogos e ao som de When you were young que elas chegaram ao fim. Perfeitas.

Nota de rodapé¹: eu perdi o texto original que fiz sobre o show e fiquei muito chateada. Então, meu namorado sugeriu que eu tentasse reescrevê-lo. E se eu conseguisse, iria significar que o show realmente foi inesquecível. E parece que foi mesmo…

Nota de rodapé²: o “aniversário” oficial do show é no dia 21 de novembro, mas na segunda-feira, eu terei outra coisa especial para compartilhar com vocês =)

Fotos: Fábio Camargo
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8 Comments

Filed under Música

8 responses to “Do caos ao Killers

  1. Bom, definitivamente não pareceu um texto escrito depois de perder o “original”. Não sou tão fã assim da banda, mas para quem é deve ter sido mesmo emocionante.

    Beijos

  2. Que bacana. É tão bom quando a gente algo que quer muito.
    E pelo seu texto o show deve mesmo ter sido inesquecível. Parece que você acabou de sair de lá e veio escrever =)
    Bjo

  3. Que bom que conseguiu reescrever \o/
    Tem coisas que a gente não esquece mesmo! Das minhas bandas preferidas, já fui no show de duas (e duas vezes no show de uma, e uma vez no show de outra), e atualmente faltam dois shows para eu ir (você sabe qual é um deles porque eu já me lamentei com você no feriado hahaha), mas é realmente maravilhoso…não há dificuldades que estraguem um dia lindo, ainda mais quando a sua banda preferida faz um show perfeito e só confirma porque é tão especial para você <3

    É issae!! Lindos tênis…hahahaha!

    Beijos, NÁ! :*

  4. Entãaaao… Acho que nunca ouvi uma música da banda (sim sou sem cultura). Mas vou procurar ouvir e vê se gosto.
    Beijos,K.
    Girl Spoiled

  5. Preciso deles no Brasil de novo. PRECISO!

    Um beijo,
    Luara – @luuara
    http://estantevertical.blogspot.com/

  6. Oi Nádia!!
    Que legal esse post, adorei suas impressões sobre o show! Adoro as músicas do The Killers!
    Beijos,
    Sora – Meu Jardim de Livros

  7. Não conhecia a banda
    Mas que bom que voce pode ir eim e se divertiu

    Beijos
    http://pocketlibro.blogspot.com

  8. Obrigado por me fazer lembrar dos momentos que a minha mente se recusava a lembrar devido ao êxtase… lembro de entrar no lugar enlamaçado já ao som de human… não sabia qnto tinha perdido… mas fiquei feliz depois de saber que não tinha perdido as que eu mais amo.. e SIM, EU CANTEI ELVIS COM O BRANDON!!! AHUHAUHUAHUAHU Obrigado por me lembrar disso tmb ~*____*y Obrigado por me lembrar que estourei minhas pregas vocais cantando when you were young no gran finale! =DD
    Mal espero para ver eles de novo… e dessa vez espero que de mais perto… eu tava mto mto longe… foda se pobre! mas foi divertido =)

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