Agregar, não segregar

Eu sempre tive gostos contraditórios, ainda que sem querer. Em 1999, era fanática por futebol, mas lia Capricho. No ano seguinte, amava o pop do Nsync e também adorava o rock do Red Hot Chili Peppers. Em 2004, conheci as bandas alternativas/clássicas e o cinema OFF-Hollywood. Me apaixonei e comecei a achar que, na minha lista de favoritos, eu não poderia misturar Britney Spears e Suede, filmes alternativos e comédias românticas.

Então, foram quase dois anos tentando me “desintoxicar” e até que obtive sucesso. Eu até poderia viver assim nos dias de hoje, se não tivesse percebido que eu corria sérios riscos de me tornar aquele tipinho que detesto: gente que veste camiseta com estampa do Arctic Monkeys e Amélie Poulain, mas, no fundo, não sabe nem quem é Jean-Pierre Jeunet ou Alex Turner (embora eu saiba quem são, pois sou viciada em pesquisas). E o pior é que fazem isso só porque acham que ser “diferente” é cool – embora o “diferente” já tenha virado comum.

Um pouquinho do que rola na minha coleção.

Não me entendam mal, não estou cuspindo no prato em que comi – ou tentei comer. Não tenho nada contra pessoas indies, pelo contrário: as de verdade têm a minha admiração e respeito. Entre as minhas bandas favoritas, aliás, a maioria é “alternativa” ou clássica e eu ainda assisto a filmes OFF-Hollywood de vez em quando. Mas aprendi que existe uma maneira certa para apreciar cada tipo de coisa. Nunca vou esperar que a Britney seja considerada uma Aretha Franklin ou que uma comédia romântica fature o Oscar. Assim como sei que jamais verei um filme água com açúcar de Robert Rodriguez.

Mas toda essa resistência em aceitar meus gostos contraditórios teve um lado positivo: me mostrou que eu estava me levando a sério demais. Quando percebi, consegui superar a minha crise interna e entendi que eu não tenho que ser uma coisa só. É como se eu tivesse criado compartimentos no meu cérebro, onde o Morrissey e Rihanna não precisam dividir o mesmo espaço. E, se antes eu tinha receio de ser vista como uma pessoa superficial por gostar de música pop e comédias românticas, hoje, não me importo com esses rótulos ou preconceitos. Acontece que existem várias “espécies de Nádia”, que eu não faço mais questão de expor. Justamente porque é contraditório demais e, às vezes, nem sentido faz. Mas já sou segura o suficiente para saber o que de fato me define. E, muitas vezes, é a contradição que diz quem eu sou. Apaixonada por Corinthians, moda e maquiagem, com um lado roqueiro e outro “superficial”, como queiram. Nem tudo precisa fazer sentido sempre.

A palavra de ordem é agregar e não segregar.

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6 Comments

Filed under Comportamento

6 responses to “Agregar, não segregar

  1. nati85

    Por coincidência, hj de manhã eu vinha pensando no assunto e a conclusão foi: por mais que vc seja diferente, vc sempre vai cair no “óbvio” (ou clichê).
    Então, curta as coisas q vc gosta PQ VC GOSTA e não pq quer ser diferente. Se destaque pq vc é uma pessoa “diversificada” e não pq conhece coisas q mais ninguém conhece

  2. Concordo 100%!
    Eu sempre tive a mania de pesquisar exaustivamente sobre tudo o que começava a gostar. E acho que isso faz de mim uma “gostadora” genuína de certas coisas. E me basta, sabe? Acho que isso é o mais importante!

  3. Concordo plenamente, e as ultimas palavras disseram tudo! e hoje em dia as pessoas tem muito isso de preconceito com o que as outras fazem, gostam, pensam.. que chato! Adorei o post :)

    Beijos, Renata.

  4. Concordo. Eu sou da seguinte opinião que gosto não se discute portanto acho que cada um tem o direito de apreciar o que gosta, eu não sou de ficar criticando o estilo de ninguém e muito menos de imitar os outros para ficar na “modinha” curto o que gosto independente se os outros aceitam ou não e também procuro pesquisar a fundo, como você os assuntos que me interessam.
    No final do post pude perceber que também sou diversificada, pois sou corinthiana roxa, que adora ficar numa roda de samba , que também ama Linkin Park e se veste o mais feminina possível, dá pra entender!? Rs.
    Beijos.

    Books e Desenhos

  5. Nádia, texto perfeito, amei. Acho que é o melhor que já li por aqui, e olha que gosto muito das suas idéias. Sou exatamente como você, só que nunca senti essa necessidade de me “desentoxicar”, porque nunca me importei de como me viam. Aprendi desde sempre que o importante é o que eu penso, como me sinto, então vivi tudo plenamente. Mesmo que minhas amigas não gostem de filmes de ação, eu assisto, e também levo meu namorado junto para as comédias românticas, que ele detesta, por exemplo. Eu tento conhecer um pouco de tudo e já tive até minha fase de ir pra balada dançar funk (deprimente, haha) .

    Beijos
    Beijinhos

  6. O problema é que tem gente que acha que tem que SER o que curte, e não CURTIR o que curte :D Como você disse, temos que AGREGAR coisas que curtimos para que a gente “melhore”. Mas tem gente que ao invés de somar isso à vida, acaba vivendo por aquilo e é aí que acontecem essas lutas internas, haha. Se eu fosse VIVER, HOJE, tudo o que eu gosto…tava lascada. E acho que é por isso que peguei nojinho dos pseudo. Acho que quando a gente tem 15/16 anos, é até normal ter esse tipo de atitude (eu já fiz isso), mas aí a gente cresce e amadurece, e eu vejo gente que cresceu e continua assim e aí mesmo sendo intolerância minha, eu fico brava :P

    Mas sempre vou esperar que sua banda preferida seja o STP um dia.
    HAHAHAHA *zoeira*

    Beijinho, Ná!
    E depois conte do show :P

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