The Picture of Dorian Gray

Dorian Gray é um jovem órfão, rico e dono de uma beleza extraordinária. Quando ele chega à cidade grande, o artista Basil Hallward fica encantado com sua perfeição e pede para pintar um retrato do jovem. Em uma das sessões, Dorian é apresentado a Harry Wotton, ou Lord Henry, que, ao mesmo tempo em que fica fascinado com a beleza do garoto, também o impressiona com suas ideias, no mínimo, controversas. Quando o retrato fica pronto, Dorian finalmente descobre o tamanho de sua perfeição física e, nesse momento de vulnerabilidade, Harry consegue convencê-lo de que beleza e juventude são as coisas mais importantes na vida de um homem. O jovem, então, pede que as duas virtudes durem para sempre e, como se fosse mágica, o retrato passa a absorver todas as consequências do tempo, dos excessos e pecados de Dorian. E então, ele se sente livre para viver uma vida cheia de prazeres e isenta de culpa.

O enredo de The Picture of Dorian Gray é fantasioso, mas, na verdade, é uma crítica (em forma de metáfora) à superestimação da beleza e da juventude. O narrador onisciente, como sempre, enriquece a história, por revelar pensamentos e pontos de vista de várias personagens e também colocar os fatos em perspectiva. No entanto, grande parte do livro é contada por meio de diálogos incrivelmente ácidos e afiados. Porém, apesar de, na maioria do tempo, o livro ser pouco descritivo, em alguns momentos, Oscar Wilde passa páginas e páginas apenas falando sobre pessoas, casos e situações –  o que devo confessar que é um pouco cansativo, mas sei que faz parte do jogo. No entanto, a monotonia desses trechos é facilmente compensada pelas falas ora revoltantes, ora engraçadas (mas sempre polêmicas e com um fundo de verdade) proferidas por Lord Henry durante o livro.

Se por um lado eu gosto de ler chick lits por me identificar com as histórias, ler um clássico de 1890 foi interessante para conhecer os costumes daquela época e saber como as pessoas pensavam e se comportavam. E é totalmente diferente dos dias atuais, claro, mas igualmente fascinante. O livro tem apenas 213 páginas, quantidade que eu mataria facilmente em mais ou menos 3 dias. Então, o fato de eu ter levado duas semanas para lê-lo diz muito sobre sua fluidez. O que quero dizer é que The Picture of Dorian Gray definitivamente não é uma leitura fácil e rápida. Por ter sido escrito no século XIX, a linguagem é bem diferente e a história é densa, assim como a narrativa. Além disso, eu li o livro em inglês, o que, claro, torna tudo um pouco mais complicado. No entanto, isso não quer dizer que o clássico de Oscar Wilde seja chato ou massante. Só significa que você vai precisar de muita vontade para não abandoná-lo – caso você não leia muitos clássicos ou esteja mais acostumada com os sempre leves e fáceis chick lits (como eu).

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Ps: dessa vez, postei uma foto do livro “de verdade” porque acho que é o exemplar mais bonito que já li, hahaha!

Sobre o filme

Lembram que, há algumas semanas, eu assisti O Retrato de Dorian Gray e, mesmo não tendo lido o livro ainda, já havia achado algumas coisas estranhas? Pois bem, agora tenho propriedade para falar, haha! Eu havia achado que a história se desenrolava muito rápido na versão cinematográfica e, agora, entendo que é porque, no livro, existem muitos diálogos e situações que não fariam sentido nas telas. Eu também havia comentado que meu namorado (que já havia lido a obra) tinha reclamado das adaptações feitas, que poderiam passar uma ideia errada sobre a história original. Fato. No filme, Dorian é retratado como um homem belo, porém egoísta e covarde, e no livro, ele não deixa de ser tudo isso. Mas também existe uma boa dose de redenção, que com certeza faz toda diferença na hora do “juízo final” sobre a obra.

Por fim, apesar do Dorian original ser loiro dos olhos azuis, eu acho que Ben Barnes realmente combina com o papel (apesar da atuação meia-boca). Enquanto lia o livro, imaginava ele e Colin Firth, que interpreta Lord Henry, vivenciando aquelas “cenas”. Moral da história: mais uma vez, a versão cinematográfica deixa a desejar por conta das forçações de barra e adaptações incoerentes e desnecessárias.

Título original: The Picture of Dorian Gray
Autor: Oscar Wilde
Ano: 1891
Páginas: 213
Tempo de leitura: 14 dias
Avaliação: 4 estrelas

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11 Comments

Filed under Livros

11 responses to “The Picture of Dorian Gray

  1. adoro o livro, mas não passei dos cinco minutos iniciais no filme :/

  2. Ainda não li o livro, mas assisti ao filme e gostei, achei ele bem diferente.
    Beijos.

    Books e Desenhos

  3. Ainda não li o livro e nem sequer vi o filme, é difícil dar uma opinião sensata, mas acredito que é uma bela história.
    Sempre gosto mais de ler o livro para ver o filme depois e sempre me decepciono, acho que é normal e impossível transmitir tudo que se passa em não sei quanas páginas para um filme de 2 horas.
    Beijinhos

    http://everything-new-again.blogspot.com/

  4. Preciso MUITO ler esse livro :D
    E poxa, agora fiquei bege que o Dorianzinho era loiro de olhos azuis e colocaram o Príncipe Caspian para fazer o papel :o Droga, nem nisso as pessoas seguem, hahah! (tá, o Barnes é fofo, mas não importa haha)
    E ler livro véio em inglês é uma arte…hahahah, espero que continue dominando-a com Persuasion, lindo livro que aguarda uma chance…xD

    Beijos, Ná!! =*

    • sim, eu também jurava que o Dorian do livro era moreno e talz. Mas acho que o fato do Ben Barnes não ter uma beleza óbvia, mas ainda assim ter um charme peculiar, foi bastante levado em consideração na hora de escolher o ator. Por isso, apesar da diferença física, eu apoio. (mas é, eles nunca respeitam, nem em O Diário da Princesa, haha)

      E Persuasion está na minha lista próxima, hahaha não sei se lerei em inglês, porque confesso que cansa muito. Mas lerei =D

  5. Adoro esse livro. O final é simplesmente perfeito. Foi o meu primeiro clássico e por isso é meu queridinho.
    Baixei o filme mas acabei desistindo de assistir porque sabia que eles iam cagar a genialidade de Oscar Wilde.

    Beijos, Caline
    Mundo de Papel

  6. Esse livro não me atrai de jeito nenhum! Acho a história meio sinistra e por saber onde vai dá me desanima mais ainda :/
    Beijos,K.
    Girl Spoiled

  7. Eu ia comprar esse livro na Bienal do Rio, mas acabou que nem comprei (por falta de tempo pra procurar por preços e etc).
    Me falaram do filme, e foram só críticas positivas… mas creio que esse pessoal não leu o livro, então, avaliações inválidas! ASUHAHSUAS
    Fiquei com mais vontade ainda de ler o livro. ;D

    Um beijo,
    Luara – @luuara
    http://estantevertical.blogspot.com/

  8. Nádia, pretendo ler esse livro um dia. Mas seu exemplar é realmente a coisa mais linda que já vi ^^ Acho que podiam fazer mais livros desse.
    Gosto de livros densos, mas acho que vou deixar para ler ano que vem, que esse já está sendo bem pesado.

    Beijos

  9. Oi Nádia!!
    Gostei da sua resenha e das comparações com o filme. Eu ainda não vi o filme, mas li o livro há muitos anos e gostei bastante. Realmente não é uma leitura fácil, mas vale a pena!
    Beijos,
    Sora – Meu Jardim de Livros

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