Monthly Archives: November 2011

Filme: Não sei como ela consegue

Não sei como ela consegue é a adaptação cinematográfica do livro homônimo, escrito por Allison Pearson. Para ler a sinopse e saber o que eu achei da obra original, clique aqui =)

Depois de me decepcionar um pouco com a versão cinematográfica de Qual seu número?, fiquei com medinho de sair frustrada novamente do cinema, então, fui assistir Não sei como ela consegue com a intenção de “analisar” o filme sob duas perspectivas: a de uma simples comédia romântica e a de adaptação de um livro. Como comédia romântica, o longa não deixa nada a desejar e tem todos os ingredientes necessários para conquistar: protagonista carismática, história de fácil identificação e doses ideais de humor e romance.

A boa notícia é que, como adaptação do romance de Allison Pearson, o filme também não deixa quase nada a desejar. Para começar, Sarah Jessica Parker e Greg Kinnear são exatamente o que imaginei para Kate e Rich. Já Pierce Brosnan é um Jack um pouco mais velho do que eu esperava, mas nada que atrapalhe o desenrolar da história na telona. O início do filme é tão fiel ao começo do livro que era como se eu já tivesse assistido àquela cena. E isso, que é um ótimo sinal, aconteceu em vários outros momentos do longa. Para completar, algumas falas originais do livro também foram usadas no filme, o que é um ponto mais do que positivo.

Agora, vamos aos pontos negativos: a versão cinematográfica engoliu algumas personagens (como Candy e Debra), criou novas (como Allison) e reduziu/aumentou a participação de outras (como Paula e Momo, respectivamente). Além disso, também achei que o filme é um pouco superficial em relação à obra original. Nas 396 páginas do livro, muitas coisas acontecem e acredito que ele seja mais profundo, principalmente, em relação ao trabalho de Kate – e acho que essa “densidade” explica a minha demora em lê-lo. No entanto, não achei que a omissão de alguns fatos e personagens tenha prejudicado o filme. Pelo contrário, acredito até que essa redução tenha sido necessária para que o longa passasse a mensagem central sem deixar de ser leve e divertido, o que também é a proposta do livro.

Conclusão: eu, que havia gostado bastante do livro, saí do cinema satisfeita e com a sensação de ter realmente visto a história original transformada em filme e não usada como mera inspiração.

Título original: I don’t know how she does it
Diretor: Douglas McGrath
Ano: 
2011
Minutos:
89
Elenco:
 Sarah Jessica Parker, Greg Kinnear e Pierce Brosnan
Avaliação: 
4 estrelas

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Não sei como ela consegue

Katherine Reddy, ou simplesmente Kate, é casada, tem 35 anos, dois filhos e trabalha como gerente de fundos de investimento. Competentíssima, ela foi a primeira mulher a se tornar gerente da Edwin Morgan Forster, mas seu sucesso profissional interfere diretamente na qualidade de vida da sua família. Sem tempo para cuidar dos filhos, do marido e até de si mesma, Kate vive em meio ao caos: precisa ficar 24 horas por dia de olho nos altos e baixos do mercado financeiro e sua agenda é cheia de reuniões inadiáveis e viagens a trabalho. Ainda assim, ela consegue manter a casa em pleno funcionamento e nunca deixa faltar nada para seus filhos – exceto sua companhia. Mas a rotina atribulada só faz com que Kate se cobre ainda mais e se ache ruim em tudo o que faz – e principalmente no que não faz. O resultado dessa vida dupla é um conflito que sempre bate à sua porta: será que deixar de trabalhar é a mesmo melhor saída, ainda mais para uma mulher independente e workaholic?

Acredito que Kate seja um retrato bem realista de muitas mulheres hoje em dia. Mulheres que são mães e esposas e que não apenas trabalham fora, como também são profissionais indispensáveis em suas empresas, além de peças fundamentais no quebra-cabeça de suas casas. E, em meio à essa confusão, chamada rotina, fazem de tudo e mais um pouco, mas sempre sentem que não fazem o suficiente. Se cobram e, por melhores que sejam, ainda se sentem medíocres. Acho que só quem é mãe realmente sabe o quanto dói sentir que um filho precisa de mais do que o que você pode dar –  mesmo que essa não seja bem a verdade. Bom, eu não tenho filhos, mas digo isso porque senti que Allison Pearson conseguiu transmitir as angústias e delícias de ser mãe e, acima de tudo, trabalhadora.

Apesar de ter achado o subtítulo do livro (“Uma comédia sobre o fracasso, uma tragédia sobre o sucesso”) um pouco pedante, confesso que ele descreve exatamente o que a história é: o tipo da coisa que consegue ser engraçada e triste ao mesmo tempo. Mas também achei a obra sensível sem ser piegas e, repito, muitíssimo realista. Kate é uma mulher inteligentíssima e divertida que, apesar de já muito desgastada pela vida corrida, não se permite perder o senso de humor diante das dificuldades – ainda que isso resulte em uma mulher sarcástica e até amarga algumas vezes.

Ao ler Não sei como ela consegue, eu tive a certeza, mais uma vez, que ter filhos realmente é muito desgastante, mas que as recompensas valem a pena. Outra mensagem passada pelo livro é aquela velha premissa de que tudo tem seu tempo. Kate sabe qual a solução para os seus problemas, mas não está pronta para tomar uma decisão e, muito menos, assumir seus riscos – embora isso pareça muito mais fácil do que levar sua atual rotina. Além disso, ela também está em um momento de exploração pessoal, de saber onde está o meio termo entre o que ela quer e o que os seus filhos precisam. Kate passa por muitas provações, que fazem com que ela, de fato, perceba o que está fazendo de errado ou certo. A questão é que ela sabe que chegou a hora em que não deve ceder mais do que já cede e abrir mão de certas coisas por outro motivo que não suas próprias vontades.

Por alguma razão misteriosa, levei longos 14 dias para ler as 396 páginas de Não sei como ela consegue. Mas o livro é ótimo e, apesar da minha demora, a leitura é fácil, leve e uma delícia. Com altas doses de humor, a obra de Allison Pearson é também emocionante e realmente faz refletir sobre o que, de fato, vale a pena.

Quotes

“Antigamente, as mulheres tinham tempo para fazer tortinhas, mas fingiam orgasmos. Hoje,  nós conseguimos ter orgasmos, mas fingimos que somos ‘as boas’ na cozinha”.

“Candy diz que só vai começar a se preocupar com sua fertilidade quando Cartier começar a fabricar relógios biológicos”.

“Ela foi a única pessoa que nunca disse: eu não sei como você consegue. Ela sabia como eu conseguia e ela sabia o quanto isso custava”.

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Nota de rodapé: a versão cinematográfica de Não sei como ela consegue, enfim, chega às telonas nessa sexta-feira, dia 25. Eu irei assistir, claro, e conto para vocês o que achei ;)

Título original: I don’t know how she does it
Autor: Allison Pearson
Ano: 2004
Páginas: 396
Tempo de leitura: 14 dias
Avaliação: 4 estrelas

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Is THIS Britney, bitch?

Britney Spears estourou em 1999, com a música que viria a se tornar um clássico pop, … Baby one more time. A partir daí, foi sucesso atrás de sucesso, mas ainda levou mais um ano para eu me interessar pela cantora. Isso aconteceu quando ela lançou o clipe de Lucky, o segundo single do segundo álbum, Oops!… I did it again. Viciei, corri atrás do álbum perdido e passei a acompanhar a trajetória da princesinha do pop de perto. Porém, quando ela se apresentou no Rock in Rio, no ano seguinte, eu tinha apenas 12 anos, então, prestigiar o festival ficou fora de cogitação. Depois disso, tantas coisas ainda aconteceram na vida de Britney Spears, que eu, na verdade, nem esperava que fosse ter uma oportunidade real de assistir a um show dela. Mas eu tive e aproveitei.

O show

Até faltar exatos 4 dias para o show, eu ainda estava meio anestesiada. Acho que a ficha de que eu veria Britney Spears ao vivo e a cores ainda não havia caído. Foi depois dos shows do SWU que comecei a ficar ansiosa e, cada vez que eu imaginava a cantora subindo no palco, sentia aquele friozinho na barriga. Bem, o grande dia chegou e, assim que eu pisei no Anhembi e vi o cenário todo montado, pensei “não acredito que isso vai, finalmente, acontecer”. Foram mais 4 horas de espera e a contagem regressiva dos últimos 30 minutos no telão só deixava os nervos ainda mais à flor da pele. Quando o cronômetro zerou, às 22h em ponto, a já clássica frase “it’s Britney, bitch!” soou nas caixas de som e, então, ela subiu ao palco ao som de Hold it against me. As lágrimas, que eu já esperava, ameaçaram, mas não caíram e eu achei que fosse apenas uma questão de tempo.

Britney cantava ao vivo (pelo menos algumas músicas), mas o som era baixo demais. Pensei que assim que a histeria inicial dos fãs passasse, nós conseguiríamos ouvir melhor. Mas, não. A segunda música, o bônus track de Femme Fatale, Up ‘n’ Down, não causou tanta gritaria e, mesmo assim, o áudio continuava baixo. Na canção seguinte, Three, eu já estava oficialmente sem paciência e me esforçava para que a irritação não contaminasse o momento. Mas, com tantos fãs exageradamente histéricos, ficou realmente difícil manter o bom humor. Além disso, havia também o fato de que o palco era baixo demais e eu não conseguia enxergar nem mesmo os telões de tanto que o povo pulava. Então, se antes eu tinha certeza que a animação do público era imprescindível para que um show fosse bom, hoje, acho que me enganei. Os fãs de Britney cantavam, dançavam, gritavam e pulavam, mas nada era o suficiente para me empolgar, apenas me irritava mais e mais.

Tudo bem, eu sou baixinha e estou acostumada a não conseguir ver, de fato, os shows. Mas, para compensar, me deixo levar por cada batida e por cada palavra entoada pelo artista em questão. E costuma funcionar. No entanto, eu fui até o Anhembi para tentar ver e com certeza ouvir Britney Spears – mesmo que fosse o já característico playback. Mas eu não estava conseguindo fazer nenhuma das duas coisas e isso me desanimou ao ponto de (dói admitir) começar a torcer para que o show acabasse logo. Então, eu cruzei os braços e desisti de me divertir. Cantei todas as músicas até o fim, mas agi da mesma forma mecânica que Britney parecia agir nas poucas vezes que avistei-a no palco. Passei o resto da apresentação repassando todos os shows bons que já fui e tentando entender por que aquele, que deveria ser tão especial, não estava me agradando.

O pós-show

Eu saí do Anhembi tentando entender o que eu havia achado do show. Fui, sim, com altas expectativas, afinal foram 10 longos anos de espera. Mas em nenhum momento, eu imaginei uma apresentação verdadeiramente ao vivo ou uma performance impecável e animada, como as da “Britney antiga”. Por isso, não vou fazer aqui o que muitos críticos fazem e falar o óbvio – até porque não sou crítica e nem quero ser. Não vou reafirmar que ela fez playback na maioria das canções e que não dançou nem metade do que costumava, há menos de 10 anos. Porque todos nós, fãs e não-fãs, já sabíamos disso. O que realmente me decepcionou foi constatar quão mecânico é o show de Britney, o quanto ela não parece estar se divertindo e o quanto isso definitivamente não me agrada. Foi entender e concordar com o que a maioria dos críticos diz, mesmo que eu, ironicamente, os critique tanto na maioria das vezes. Mas, principalmente, foi não ter mais como defender Britney Spears.

Eu juro que fui com os dois pés no chão. Não esperava o melhor de Britney e não me importava com a ausência de tantos sucessos, porque foi todo o conjunto da obra da cantora que marcou  meus últimos 11 anos. Mas, pensei que, na hora de Don’t let me be the last to know, por exemplo, eu ficaria emocionada por lembrar com saudade dos meus 12 anos. Só que eu não senti nada. E não senti nada em vários outros momentos – ou em quase todos, eu deveria dizer. E a indiferença é muito pior do que a insatisfação. Eu já me perguntei se o show era visual demais para curtir sem conseguir enxergar nada. Ou se eu estava simplesmente sendo muito radical e exigente. Mas já fui a muitos shows bem menos promissores que me ganharam pelas mais diversas razões. E agora, a única coisa que eu consigo me perguntar é como apenas 1h30 pode mudar tudo o que você achou durante 11 anos?

Nota de rodapé: esse foi um relato totalmente sincero de uma fã completamente desapontada. 

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Do caos ao Killers

Em 2007, o The Killers foi a principal atração do TIM Festival. Eu apenas gostava da banda, então deixei a oportunidade passar. Em 2008, resolvi ouvir o segundo CD deles, Sam’s Town, com carinho e acabei me apaixonando. No mesmo ano, a banda lançou o terceiro – e, na minha opinião, melhor – álbum, Day & Age, que me conquistou de vez e me transformou em fã incondicional. A partir daí, passei os dias ouvindo Killers e me culpando por não ter ido ao TIM Festival de 2007. Mas que alternativa eu tinha, além de esperar uma nova oportunidade? Foi quando, depois de várias especulações, a banda anunciou que faria um show em São Paulo, no dia 21 de novembro de 2009. Assim que pude, comprei ingressos para a pista premium e comecei a contar os dias: faltavam 100. Contei um a um com uma ansiedade sem precedentes, mas, enfim, era a minha vez.

Meu ingresso inteiro e o que sobrou dele (e do meu tênis) depois do show.

O show

E, então, depois da contagem regressiva, lá estava eu, esperando a minha banda favorita subir ao palco. Debaixo de chuva, acima da lama e consumida pelo mau humor. Enquanto eu aguardava de pé na pista preenchida pela água barrenta, me irritava com a capa de chuva que grudava na pele molhada e esquecia o motivo pelo qual eu realmente estava lá. Só conseguia me perguntar se realmente valeria a pena tanto esforço. Mas a resposta estava por vir.

Quando o palco deu sinais de que, enfim, receberia a banda, senti a irritação dar lugar à adrenalina. E, 20 minutos após a hora marcada, ao som de Human, eu confirmei que Brandon Flowers, Mark Stoermer, Ronnie Vannucci e Dave Keuning existiam de verdade e estavam na minha frente. Foi quando 2 anos de espera e o misto de ansiedade, expectativa e felicidade irromperam em um choro totalmente inesperado, mas, de alguma forma, libertador.

O show seguiu com This is Your Life e a clássica Somebody Told Me, que agitou quem ainda estava desanimado e transformou as poças d’água em piscinas. A cada 5 minutos, eu examinava tudo ao meu redor, voltava os olhos para o palco e quase que, literalmente, me beliscava. Naquele momento, já não existia mais lama, chuva ou caos que me fizessem esquecer o porquê de eu estar lá. Ou que me fizessem questionar se valeria a pena. Porque, àquela altura, eu já sabia a resposta.

Com canções como Bones, Smile Like You Mean It e Spaceman, o setlist agradava ao público e era perfeitamente executado pela banda. Timidamente audacioso, Brandon arriscou até mesmo um cover de Can’t Help Falling in Love, de Elvis Presley, e foi traído pelas teclas de seu piano. Mas não pela sua voz. Agradou e, em seguida, continuou agradando assim que o público reconheceu os primeiros sinais dos sintetizadores de Brandon em Read My Mind, seguida do primeiro single da banda, Mr. Brightside. O ápice do show veio logo depois, com All These Things That I’ve Done, um Brandon ensandecido em cima das caixas de som e uma chuva, dessa vez, de pequenos quadradinhos de papel brilhante.

Chuva de papel picado em All these things that I’ve done e cascata de fogos em When you were young :’)

A primeira parte acabou assim. E eu não acreditava que já estava chegando ao final definitivo. Um misto de nostalgia antecipada e tristeza tomou conta de mim, mas eu decidi que aproveitar ao máximo o que ainda estava por vir seria a melhor coisa que eu poderia fazer. Então, fiz questão de  curtir cada acorde do baixo marcante de Jenny was a friend of mine, como se ainda fosse a primeira canção de muitas que ainda viriam naquela noite. Mas a seguinte já era a última e, enquanto Brandon cantava o trecho “he doesn’t look a thing like Jesus”, eu levantei as mãos para o céu arroxeado e simplesmente agradeci, pra quem quer que fosse, por ter acabado de viver as melhores duas horas dos últimos tempos. E foi em meio à uma cascata de fogos e ao som de When you were young que elas chegaram ao fim. Perfeitas.

Nota de rodapé¹: eu perdi o texto original que fiz sobre o show e fiquei muito chateada. Então, meu namorado sugeriu que eu tentasse reescrevê-lo. E se eu conseguisse, iria significar que o show realmente foi inesquecível. E parece que foi mesmo…

Nota de rodapé²: o “aniversário” oficial do show é no dia 21 de novembro, mas na segunda-feira, eu terei outra coisa especial para compartilhar com vocês =)

Fotos: Fábio Camargo

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Agregar, não segregar

Eu sempre tive gostos contraditórios, ainda que sem querer. Em 1999, era fanática por futebol, mas lia Capricho. No ano seguinte, amava o pop do Nsync e também adorava o rock do Red Hot Chili Peppers. Em 2004, conheci as bandas alternativas/clássicas e o cinema OFF-Hollywood. Me apaixonei e comecei a achar que, na minha lista de favoritos, eu não poderia misturar Britney Spears e Suede, filmes alternativos e comédias românticas.

Então, foram quase dois anos tentando me “desintoxicar” e até que obtive sucesso. Eu até poderia viver assim nos dias de hoje, se não tivesse percebido que eu corria sérios riscos de me tornar aquele tipinho que detesto: gente que veste camiseta com estampa do Arctic Monkeys e Amélie Poulain, mas, no fundo, não sabe nem quem é Jean-Pierre Jeunet ou Alex Turner (embora eu saiba quem são, pois sou viciada em pesquisas). E o pior é que fazem isso só porque acham que ser “diferente” é cool – embora o “diferente” já tenha virado comum.

Um pouquinho do que rola na minha coleção.

Não me entendam mal, não estou cuspindo no prato em que comi – ou tentei comer. Não tenho nada contra pessoas indies, pelo contrário: as de verdade têm a minha admiração e respeito. Entre as minhas bandas favoritas, aliás, a maioria é “alternativa” ou clássica e eu ainda assisto a filmes OFF-Hollywood de vez em quando. Mas aprendi que existe uma maneira certa para apreciar cada tipo de coisa. Nunca vou esperar que a Britney seja considerada uma Aretha Franklin ou que uma comédia romântica fature o Oscar. Assim como sei que jamais verei um filme água com açúcar de Robert Rodriguez.

Mas toda essa resistência em aceitar meus gostos contraditórios teve um lado positivo: me mostrou que eu estava me levando a sério demais. Quando percebi, consegui superar a minha crise interna e entendi que eu não tenho que ser uma coisa só. É como se eu tivesse criado compartimentos no meu cérebro, onde o Morrissey e Rihanna não precisam dividir o mesmo espaço. E, se antes eu tinha receio de ser vista como uma pessoa superficial por gostar de música pop e comédias românticas, hoje, não me importo com esses rótulos ou preconceitos. Acontece que existem várias “espécies de Nádia”, que eu não faço mais questão de expor. Justamente porque é contraditório demais e, às vezes, nem sentido faz. Mas já sou segura o suficiente para saber o que de fato me define. E, muitas vezes, é a contradição que diz quem eu sou. Apaixonada por Corinthians, moda e maquiagem, com um lado roqueiro e outro “superficial”, como queiram. Nem tudo precisa fazer sentido sempre.

A palavra de ordem é agregar e não segregar.

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Sobre o SWU

Opa, sobrevivi ao SWU! Depois de duas horas de estrada, chegamos à Paulínia. Andamos, andamos, andamos e andamos, até que chegamos ao local dos shows. A chuva havia dado uma trégua, mas a lama, definitivamente, não. Lá dentro, enfiamos o pé no barro sem dó e andamos ainda mais, até encontrar os quiosques de comes e bebes e os banheiros químicos (delícia!). Os shows terminaram pouco mais de 3h da manhã, andamos mais quilômetros até o estacionamento VIP (que foi liberado ao público não-VIP, por conta da lotação) e, enfim, pegamos a estrada de volta para casa. Achei a estrutura do SWU até boa, tirando a lama e a falta de iluminação. Agora, vamos aos shows!

Amei os astronautas no palco!

Tudo o que eu sabia sobre o Primus  é que é deles a música de abertura do South Park – e isso eu aprendi, tipo, outro dia. Bom, o som da banda não faz meu estilo, mas é divertido e, mesmo não conhecendo as músicas, deu para perceber que foi um show de alto nível.

Meio acabadinho, meio velhinho… mas ainda lindo!

Apesar de já ter assistido Stone Temple Pilots em dezembro do ano passado, eu estava muito ansiosa para vê-los novamente – foi a primeira banda que prestigiei duas vezes. E, se em 2010, Scott Weiland (lindo!) e sua trupe me pegaram de surpresa com um show contagiante demais, dessa vez, não fui surpreendida, pois já sabia o que me esperava. Mas devo dizer que minhas expectativas foram, mais uma vez, superadas e que curti o segundo show 10 vezes mais do que o primeiro. A chuva não deu trégua, mas acabei confirmando que ela deixa tudo mais especial: ouvir as clássicas Plush e Interstate Love Song no Via Funchal, há um ano, foi demais. Mas, dessa vez, ao ar livre, foi perfeito. As gotas de chuva fizeram o papel das lágrimas que, por pouco, não caíram.

Mais chuva!

Quando chegou a vez do Alice in Chains, eu já estava cansada, com dor nas costas, molhada e com frio. Somando isso tudo ao fato de que não sou muito fã da banda, eu tive que me esforçar para continuar animada (e isso não quer dizer que tenha sido bem sucedida, hahaha). De qualquer forma, achei que William Duvall, o vocalista-substituto de Layne Staley (que morreu de overdose em 2002), canta bem demais. No entanto, apesar de ter presença de palco, achei que ele mantém uma postura “anti-frontman”, provavelmente em respeito a Layne e seus fãs e para mostrar que sua intenção não é substituí-lo.

A gente também tira o chapéu para você, Mike!

E, então, chegou o momento mais esperado da noite (e dos últimos tempos): o show do Faith no More. Há dois anos, Mike Patton e companhia vieram ao Brasil para tocar no Maquinaria Festival. Estávamos com os ingressos comprados, quando meu namorado (que tem FNM na lista de suas bandas favoritas) teve apendicite, apenas três dias antes do show. Resultado: não pudemos ir. Achamos que seria difícil ter a oportunidade de ver Faith no More tão cedo, mas não é que eles voltaram rápido? Dessa vez, não deixamos escapar e não poderia ter sido melhor. O setlist contou com clássicos, como From Out Nowhere e Epic, e outras músicas menos conhecidas do público em geral, mas, foram a energia e simpatia de Mike Patton que fizeram com o que show fosse memorável. Senti falta de algumas canções e acho que eles poderiam ter tocado minha preferida, Evidence, na versão original. Mas isso tudo foi mais do compensado porque nunca ri tanto num show como nesse e, que me perdoe o meu amado Brandon Flowers, mas acho que Mike Patton é o melhor frontman que já vi.

Ah, shows… como não amá-los? Sexta-feira, tem mais \o/

Créditos das fotos: Tiago Queiroz e Manuela Scarpa.

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Hoje é dia de…

… SWU, bebê! E meu lado rocker agradece! Finalmente, dois anos depois do desencontro causado pela apendicite do namorado, verei o gatíssimo Mike Patton e seu Faith no More. Também terei a oportunidade de prestigiar o Stone Temple Pilots (e o hot hot hot do Scott Weiland) pela segunda vez em menos de um ano. E, pra completar, o Alice in Chains!

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=1rcYBP0FdL8&ob=av3e&w=250&h=205]

Clássico!

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=ht672-wYelc&ob=av3e&w=250&h=205]

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=Zxmt4PX6gto&ob=av3e&w=250&h=205]

Vocês curtem? Alguém vai?

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